Depoimentos

CAMINHO PARA SALVAÇÃO

Até seus doze anos, Renan nunca tinha ficado em pé por causa de um problema em sua coluna. Hoje,graças ao trabalho do projeto C3, o adolescente tem a oportunidade de ter um futuro melhor. Cemitérios inspiram medo nas crianças. Imagine então quando uma criança precisa cruzar todos os dias para chegar à escola, ir à igreja ou mesmo brincar com os amigos no campo de futebol. é esta a realidade da maioria dos alunos do Projeto C3, moradores da comunidade São José, localizada exatamente atrás do cemitério de Petrópolis. Não existe outra forma de chegar a qualquer lugar da cidade se não for atravessando este caminho. "Muitas vezes as crianças têm medo quando precisam voltar para suas casas, então eu as acompanho", conta Hélito Couto, diretor do projeto. Sua dedicação em servi-las é conhecida na cidade: companheiro, ele ajuda em todas as suas necessidades e participa de suas vidas dentro e fora do projeto.

Foi em uma dessas atividades fora do projeto em que Hélito conheceu Renan Frazão, com nove anos na época. Renan estava jogoando futebol no campo com seus amigos. Ele tinha um problema em sua coluna que o obrigava a andar de quatro. Hélito notou que ele jogava a bola com as mãos e ficou impressionado com a naturalidade que ele agia e se movimentava - visivelmente, Renan não recebia nenhum tratamento e estava habituado com aquela situação. Após o jogo, Hélito se aproximou de Renan e o convidou para participar do projeto.

Naquele momento, Renan não tinha dimensão do quanto o projeto seria importante para ajudá-lo a ter uma melhor qualidade de vida.

Decisão de proteger

Renan mora com sua mão e duas irmãs na comunidade localizada atrás do cemitério.Quem toma conta do adolescente é a irmã mais velha, Diana, de 21 anos. Foi com ela que Hélito conversou a respeito da importância de Renan frequentar o projeto. Diana concordou e por alguns dias levou Renan, cruzando o cemitério, subindo e descendo os morros de Petrópolis. Esta caminhada dura em média 10 a 15 minutos, o que não seria problema se Diana não tivesse que carregar o irmão no colo. Quando ela parou de levá-lo, o Projeto decidiu buscar Renan em casa de carro ou cadeira de rodas que conseguiram por meio de doação.

"O projeto tem sido uma benção na vida de Renan", conta Ilma Couto, monitora de correspondência, uma das pessoas que tem acompanhado a história de Renan. Ela explica que logo nos primeiros meses em que Renan estava frequentando o Projeto, Hélito sofreu um grave acindente de moto e precisou usar muletas durante vários meses e se submeter às sessões de fisioterapia. Nessa ocasião, o diretor viu a oportunidade de ajudar Renan mais efetivamente. Ele batalhou para que menino também tivesse acesso às sessões de fisioterapia e conseguiu usar muletas. Desde então, eles fazem o tratamento juntos. "Eu acho até que o Hélito vais nas sessões por causa do Renan", brinca Ilma. Como resultado do trabalho, hoje Renan consegue se manter em pé sozinho.

Criança, Cuidado e Carinho

"O Projeto C3" significa ""criança, cuidado e carinho" e, de fato, o Projeto tem seguido sua missão às riscas. O ambiente é tranquilo e amoroso. Os funcionários cuidam uns dos outros e esse carinho se reflete na forma com que eles tratam as crianças.

Os funcionários do Projeto C3 se revezam no cuidado de Renan, dando banho, levando e buscando na escola - eles são a extensão de sua família, inclusive a questão de orientação quanto ao futuro. "Converso muito com ele sobre a importância de estudar e ser independente", explica Ilma. Renan também entendeu a aceitação e salvação em Cristo em uma das aulas de educação religiosa.

"Eu enxergo o Projeto como um caminho que leva o Renan a lugares onde ele não chegaria sozinho", conta Hélito. Os objetivos do Projeto na vida do adolescente têm sido atingidos dia após dia. O caminho traçado com amor e dedicação está ajudando Renan a conhecer seus direitos, acreditar em seu potencial e seguir sua caminhada com Jesus.